Shared Living

Um dia, preferimos MENOS espaço e mais serviços.

Hoje em dia comunicamos de forma diferente, comemos de forma diferente e viajamos de forma diferente. Não surpreende, por isso, que estejamos a “viver” de forma diferente. Seja por necessidade ou devido a alguma “idealização” do estilo de vida, o conceito de habitação partilhada – ou “shared living” – é cada vez mais bem-sucedido. Indivíduos, developers e, no futuro, produtores e fornecedores… Ao que parece, todos podem beneficiar.

 

Mil milhões de dólares.

Este foi o valor que a Quarters, empresa especializada no co-living, angariou recentemente para pôr em marcha a sua expansão na Europa. Já presente em Berlim, Nova Iorque e Chicago, este gigante do imobiliário construiu uma nova geração de alojamento nestas cidades: edifícios de co-living. A ideia: áreas privadas (desde estúdios a apartamentos T1) compartilhadas, com lavandaria, cinema e espaços de co-working incluídos, onde também estão incluídos serviços de Internet, Netflix, de limpeza e até entrega de refeições. As pessoas gostam do conceito, sobretudo nas grandes cidades, onde as rendas inflacionadas estão a levar à erosão de espaço disponível.

 

As pessoas estão a juntar-se.

O Wohnprojekt, finalizado em 2014, é um edifício de madeira de 8 andares, orgulhosamente situado no coração de Vienna. A sua peculiaridade: cada um dos 100 residentes, além de ser o proprietário do seu apartamento, partilha uma sala de jogos, ioga, sauna, sala de atividades, uma horta, lavandaria, carro e até quartos de visitas, onde podem receber amigos e família.
A ideia original era construir uma utopia. Hoje, como o demonstram os diversos prémios já angariados, é um dos melhores exemplos de shared living em todo o mundo. O segredo? A mistura intergeracional e intercultural, sem dúvida. No Wohnprojekt vivem trabalhadores, casais, famílias, reformados. Todos escolheram uma vida partilhada e divertida em conjunto, dizendo “não” ao individualismo. O motivo pelo qual cada residente dedica um mínimo de 11 horas por mês a cuidar do edifício (à manutenção, à jardinagem, a cozinhar, etc).

 

House sharing ≠ coliving.

O conceito de co-living é distinto de house sharing porque o edifício está desenhado para este estilo de vida desde as suas fundações. Claramente, as pessoas estão à procura de aproveitar da melhor forma possível o espaço para aproximar a comunidade. O conceito, no entanto, não termina na porta da frente. Mobiliário, eletrodomésticos, serviços, até mesmo perfis dedicados podem surgir nos próximos anos (porque não porteiros de shared living ou até gestores de felicidade?). Será, então, o co-living um potencial novo mercado para prestadores de serviços e retalhistas? Porque não?

Ideia Central

Pressão demográfica, questões climáticas, custos económicos e novas tendências tecnológicas são forças de mudança na forma de viver e estão a levar-nos a reunir diversos tipos de recursos. Trata-se de uma tendência que funciona tanto nas grandes cidades como nos meios mais pequenos, e que afeta tanto os mais novos como os mais velhos, que podem querer aproveitar a oportunidade para criar novos mercados.